SENSR.IT visita o Vale do Silício

SENSR.IT visita o Vale do Silício e absorve conhecimento técnico e inspirações provenientes do networking

Fabio Varricchio, CEO da SENSR.IT, conta um pouco sobre essa experiência que pode render muitas reflexões, contribuindo na prática para o sucesso de uma startup

Apple, HP, Facebook… O que essas gigantes têm em comum? Nasceram no mesmo lugar, o Vale do Silício e muitas delas em uma garagem – sim, é isso mesmo que você leu, em uma garagem –, por isso não importa de onde parte, mas sim o propósito do que se quer criar. Mas a região, localizada no sul da Baía de São Francisco, nem sempre foi tão conhecida. Formado por diferentes cidades, a exemplo de San José, Sunnyvale, Santa Clara, Redwood City, entre outras, o “quintal do Facebook” foi impulsionado pela Segunda Guerra Mundial e pela Guerra Fria, que incentivaram empresas focadas em tecnologia a migrarem para a região, a partir do apoio do governo.

Outra curiosidade é o fato do termo Vale do Silício ter sido criado por um jornalista, em 1971, quando ele publicou alguns jornalistas. O nome é inspirado no fenômeno natural que dá origem a um vale e no elemento químico, o silício.

Hoje, o local é reconhecido mundialmente por ter sido o ponto de partida de algumas das maiores empresas – lembrando que elas começaram muito pequenas, em garagens, literalmente. É justamente por isso que muitas startups têm o Vale do Silício como referência.

Essa lógica fica mais evidente quando lembramos que grande parte das startups fecham suas portas antes de alcançar o auge. De acordo com pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, os principais motivos para o fechamento são a dificuldade de acesso a capital (40%), obstáculos para entrar no mercado (16%) e divergências entre os sócios (12%).

Depois de trazer todas essas informações sobre o Vale do Silício e explicar o motivo pelo qual ele se tornou icônico entre as startups, chegou a hora de compartilhar tudo o que aprendi durante a minha viagem a esse polo de inovação e tecnologia.

UM CELEIRO DE HIPÓTESES

Primeiramente, é possível notar que as pessoas que estão lá não têm medo de expor suas ideias. Portanto, as fases de ideação e produto acontecem rapidamente a fim de validar a hipótese da startup, garantindo também um investimento para dar continuidade ao negócio.

Apesar dos locais e trabalho improvisados e equipes enxutas, essas empresas iniciantes focam no que realmente importa: validar uma hipótese com celeridade, errar rápido e não perder tempo com suposições, tendo em vista que tudo é baseado em dados para a tomada de decisões.

TECNOLOGIA, A ALMA DAS STARTUPS

Seja um software, seja um aplicativo, ambos os exemplos apresentam os conceitos de escalabilidade; velocidade e inovação na prática. E no Vale do Silício isso fica ainda mais notável, visto que a base de muitos negócios é a tecnologia.

Isso acontece porque, a partir dela, é possível potencializar e criar modelos de negócios, com custos relativamente baixos. Vamos a um exemplo:

Uma pessoa que produz em uma horta, mas não chega ao consumidor final, quer passar a atendê-lo. Ou seja, a função de um possível aplicativo seria integrar e digitalizar a comunicação desse modelo. Um dos caminhos para se trilhar seria desenvolver uma tecnologia com inteligência artificial associada à geolocalização, plataforma que permite a interação e integração desses stakeholders.

No Vale do Silício, a visão é orientada por propósitos, por projetos que podem tomar grandes proporções através de novas tecnologias, a exemplo do IoT (Internet das Coisas), IA (Inteligência Artificial), entre outras.

A IMPORTÂNCIA DE RESPIRAR INOVAÇÃO E OXIGENAR AS RELAÇÕES

No Vale do Silício, tive a oportunidade de interagir com pessoas que, assim como nós da SENSR.IT, estão fazendo acontecer. E ao fazer uma imersão nesse ecossistema, também quebramos alguns paradigmas. Por exemplo: é viável desenhar um modelo de negócio em uma semana. Aqui no Brasil muitos empreendedores têm a certeza de que é necessário muito mais tempo, criando uma barreira para dar continuidade a projetos. 

No polo tecnológico dos EUA, também me permitiu estudar e participar de exercícios práticos, identificando potenciais dores dos consumidores; criando e validando novas hipóteses – nessa etapa, realizei entrevistas para chancelar a tese.

É em meio a essa agilidade que é criada uma mentalidade voltada para a busca efetiva de resultados e o uso dos dados, de modo que a operacionalização de um negócio por meio do MVP aconteça em um período muito mais curto.

Ao me conectar com essa cultura de inovação genuína, percebi que um diferencial competitivo – o que de fato fez a diferença para as gigantes – é o fato de nós, empreendedores, provarmos a todo momento que nosso produto tem aderência do mercado, mas não só isso. É fundamental implementar melhorias à medida que identificamos novas oportunidades e nichos. E para fazer isso, nada melhor do que arejar a cabeça, sair do automático, se desafiar e, consequentemente, se distanciar da zona de conforto. Foi exatamente isso o que fiz ao viajar mais de nove mil quilômetros!

Uma dica valiosa: vá disposto a conhecer outras pessoas, seja receptivo e use a escuta ativa para adquirir mais conhecimento!

Participamos de dinâmicas para explorar inovação, caminhamos em lugares incríveis e conhecemos diversas empresas de sucesso, mas também ouvimos histórias e desafios, lutas incansáveis para se realizar um sonho, afinal, nem tudo são flores.  

A cada 10 startups, apenas 1 consegue avançar, sendo que o investimento inicial pode ser mais acessível, mas eles validam uma tese em no máximo um ano. Se o negócio não avançar, decolar, os investidores já partem para outra, pois ali há inúmeras possibilidades.

DA GARAGEM AO GOOGLE: SEJA INCANSÁVEL!

É impressionante como a energia dos jovens empreendedores que estão tentando alcançar o sucesso no Vale do Silício é contagiante!

Apesar de nem sempre dar certo na primeira vez, esses empreendedores continuam trabalhando e aprimorando suas ideias para, em algum momento, obterem o investimento necessário.

Outro fator determinante para passar da garagem para um império é avaliar quem está à sua volta, correndo ao seu lado pelo mesmo objetivo. Todos precisam estar cientes dos resultados, dos obstáculos e do que cada um precisa fazer ou estudar para que o projeto avance. Isso é sinergia na prática.

Também é importante ter discernimento para entender onde e quando alocar recursos. Por exemplo: a viagem para o Vale do Silício abre muitas portas e o “tiro é muito curto”, ou seja, pode valer a pena para empreendedores que almejam  respirar inovação, fazer um networking altamente qualificado, com diferentes pessoas e profissionais, que estão pensando anos-luz à nossa frente.

Por fim, compartilho um pouco da história da SENSR.IT, que nasceu na minha sacada e em um espaço na casa do meu sócio, Fabrício Silva. Foram vários rascunhos, análise de mercado, investimentos e coleções de negativas, mas com resiliência e estratégia podemos ver resultados e avanços. Escutar o cliente, ajustar e aprimorar foi fundamental para nossa jornada. Passamos por incubadoras, aceleradoras, tivemos funding, investimento do google, Microsoft e chegamos a um M&A com a TIVIT. Uma trajetória que ainda está no início, mas demonstra todo nosso foco, persistência e muito carinho com o cliente que atendemos.

O início de uma startup não é fácil, nem no Brasil, nem mesmo no Vale do Silício, onde há mais de 14.000 startups e apenas 10% avançam, e olha que o processo para obter recursos por lá é menos complexo e mais incentivado.

Então, a ideia de que ir para o Vale do Silício com o único e exclusivo intuito de fazer um empreendimento dar certo também é equivocada, já que isso é um processo e a viagem em si pode contribuir, mas grande parte é proveniente dos aprendizados e aplicações mencionados anteriormente. Portanto, o primeiro passo para aproveitar ao máximo essa imersão em inovação é ser receptivo e aceitar que pode não estar fazendo algo da melhor forma. É ter vontade de mudar a rota, pensando a longo prazo e refletindo sobre as realidades apresentadas, é se deixar impactar para transformar o seu negócio.

Andar por empresas como: Facebook, Apple, Google, Plug And Play, HP e, conhecer universidades como Stanford foi excelente, mas além dos cases de sucesso, me atento ao processo que levou essas empresas a este ponto, pois hoje comentamos de empresas com mais de 20 anos de história. É importante reforçar que nem sempre elas foram assim – essa gigantes precisaram passar por processos difíceis de validação de produto, desapego, usando toda sua determinação. Isso porque existem milhares de empreendedores nos cafés do Vale do Silício, com ideias incríveis e com acesso a recursos, muitas vezes, mas que, por questões de visão estratégica, mercado e foco, não conseguem progredir de forma significativa.

Receber investimentos e o acesso à tecnologia não dão a certeza de que o sonho será concretizado. É necessário ter muita consistência e, acima de tudo, conhecer a dor do seu cliente para ver se de fato o que temos criado faz sentido.

Tudo se resume a não perder oportunidades, pois a inovação está em toda parte. Busque o que te inspira: lugares, pessoas, negócios. Teste, valide e avance.

Autor: Fabio Varricchio, CEO da Sensr.IT

Especialização Governança corporativa – Babson | USA
Especialização Governança Financeira – Columbia University | USA
MBA Gestão de empresas e negócios
Pos graduado em Segurança da Informação
Especialista em Startup Style
Mentor
Duas décadas de experiência em estratégia de TI e Gestão de Negócios e modelos startup, atuou em grandes empresas em projetos nacionais e internacionais.

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